terça-feira, 26 de novembro de 2013

de “No rumor das águas” - 11

ergue
as mãos
ao sol

e desperta
as asas
do sonho

voa

in “No rumor das águas” (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001). Obra com edição em castelhano numa tradução de Jose Rafael Hernández sob o título “En el rumor de las aguas” (Expresiones, Venezuela, 2002).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

de “No rumor das águas” - 10

repara
no rufar
das ondas

que brincam
no areal

repara
como riem

in “No rumor das águas” (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001). Obra com edição em castelhano numa tradução de Jose Rafael Hernández sob o título “En el rumor de las aguas” (Expresiones, Venezuela, 2002).

domingo, 24 de novembro de 2013

de “No rumor das águas” - 9

cria
no ventre

o poema

seara
que se ergue
ao infinito

que se estende
e toca
o horizonte

in “No rumor das águas” (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001). Obra com edição em castelhano numa tradução de Jose Rafael Hernández sob o título “En el rumor de las aguas” (Expresiones, Venezuela, 2002).

sábado, 23 de novembro de 2013

de “No rumor das águas” - 8

a luz
e a sombra

a vida
e a morte

amor
e ódio

talvez
somente
encontro

caminho
comum

rio
desperto
ao desejo

do mar

in “No rumor das águas” (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001). Obra com edição em castelhano numa tradução de Jose Rafael Hernández sob o título “En el rumor de las aguas” (Expresiones, Venezuela, 2002).

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sobre “Ensaios de Ficção”, de Renata Pereira Correia



Quando o músico grego Vangelis compôs a banda sonora para o filme de 1982, de Ridley Scott, “Blade Runner” extraiu uma frase desse filme que considero capaz de definir o livro que aqui se apresenta.

Holden, interpretado por Morgan Paull, diz algo que em português significa sensivelmente o seguinte:

“é um teste desenvolvido para provocar uma resposta emocional”.(1)

Se repararmos no título, de facto ensaiar é testar, é pôr à prova, é verificar a possibilidade de algo ocorrer. No fundo, é limar as arestas para que algo aconteça de uma forma pré-concebida, pré-idealizada.

Mas aquilo que se testa aqui, ou que se ajusta, é a ficção, o mesmo é dizer de que se trata da outra face da realidade.

Há portanto, pela autora, a necessidade de, por palavras, desenvolver uma série de experimentações com o intuito de criar a condição ficcional.

No entanto, quanto mais se afasta do eu ao encontro do outro, mais o outro do eu se aproxima. Como se estes ensaios nos trouxessem a impossibilidade do afastamento da autora, ela mesma, da sua própria escrita.

Renata Pereira Correia é a matriz essencial do que cada palavra respira. O eu vai-se tornando cada vez mais nítido, confirmando o título, mas pela negação.

E a questão que se coloca é basicamente a seguinte: a percepção da ficção pela máscara, isto é, o outro, o eu-outro que enfrenta o mundo, é ponto de partida?, ou será o eu aquele que consagra a matéria para a criação ulterior dessa mesma percepção? Em síntese: o que distingue o eu que sou do eu-outro e do eu que afirma escrevendo no próprio instante da génese da escrita? Renata Pereira Correia diz-nos isto:

“para quê julgar o visível, se é no invisível que se encontra toda a essência”(2)

ou seja: por detrás do ficcional, o real e é nele que se deve investir, mesmo quando esse real não é mais do que a nossa forma de interpretar o real, uma ficção.

Por outras palavras, há que procurar a ideia essencial que se oculta por detrás da aparência com que explicamos o mundo isto porque é aí, nessa demanda que, como refere a autora:

“No início desta alvorada,
começa-se um novo percurso,
colhe-se frutos.”(3)

E aqui, neste pequeno exemplo, repare-se que a autora nos confere a ideia de génese, de ponto de partida por quatro vezes (início, alvorada, começa-se e novo) para que se possa possuir o objectivo, isto é: colher o fruto.

Trata-se portanto numa espécie de acto de escultura em que o outro se vai diluindo no eu através da sua própria subtracção, retirando quase diria pó a pó para chegar-se ao ponto mais radical, afirmando:

“A busca é o sonho
A procura é o delírio” (4)

Mas o mundo existe, estamos no mundo, é algo que os sentidos nos valida a cada instante.

Renata Pereira Correia dele não se dissocia, antes pelo contrário: interpela, interage, valoriza o que sente ser mais relevante, insurge-se contra a indiferença, mas sempre com um, como menciona a cantiga de Sérgio Godinho:

“brilhozinho nos olhos”.(5)

Sobre estes últimos tópicos, leia-se no poema: “Ninguém vive só”, o seguinte:

“As águas do infinito oceano correm juntas
As lágrimas rolam acompanhadas
A amizade não tem necessidade de grandes discursos
Somente os nossos actos bastam para provar o quanto ela é importante”(6)

Em resumo, apesar da indiferença e do individualismo, quantas vezes exacerbados, marcarem cada vez mais a agenda do dia, espero que se mantenha sempre essa esperança, o sonho de que é possível mudar o que nos rodeia, mesmo que, somente, seja em ensaios mesmo que num plano meramente ficcional.

NOTAS:
(1) in "Interrogation of Leon". http://www.devo.com/bladerunner/sector/2/interrogation.html (último acesso a 20.10.2013)
(2) CORREIA, Renata Pereira - "Ensaios de Ficção". Temas Originais. Coimbra. P. 22
(3) CORREIA, Renata Pereira - Ob. Cit.. P. 37
(4) CORREIA, Renata Pereira - Ob. Cit.. P. 16
(5) GODINHO, Sérgio - in "Lirycs.Time". http://www.lyricstime.com/s-rgio-godinho-com-um-brilhozinho-nos-olhos-lyrics.html (último acesso a 20.10.2013)
(6) CORREIA, Renata Pereira - Ob. Cit.. P. 27

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

de “No rumor das águas” - 7

aceso

em lunações
constantes

teu corpo
é um verbo
por conjugar

um momento
que em espanto
se descobre

in “No rumor das águas” (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001). Obra com edição em castelhano numa tradução de Jose Rafael Hernández sob o título “En el rumor de las aguas” (Expresiones, Venezuela, 2002).

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

In Memoriam - Antônio Adriano de Medeiros

Há um ano, o poeta Antônio Adriano de Medeiros deixou-nos. Na altura, a 20 de Novembro de 2012, escrevi o poema que abaixo vos deixo. Uma pequena homenagem ao poeta e aos seus cordéis.


ao antônio adriano de medeiros, 
no dia da sua morte.


antónio, o cão que se foda
(que me desculpe a menina),
mas há dias em que a roda
não roda p'la nossa sina.

e a deus digo a mesma cousa,
quarenta e nove, que porra,
não é idade p'rá lousa
registrar para quem morra.

mas, antónio, deixa lá,
nada há agora a fazer,
antes penso que por cá
ficou o que houve a 'screver.

e tu escreveste a rir
p'ra assim te vermos partir.