sinto
as palavras
como fogo
queimando
nas veias
da pedra
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
de "Palavras no vento" - 13
no mastro da partida
a palavra respirando
o vento
enfunado verso
de um poema azul
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
a palavra respirando
o vento
enfunado verso
de um poema azul
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
de "Palavras no vento" - 12
meu corpo é âncora. sente a noite
onde o cartógrafo desenha
a carta estelar. onde o poema
me visita para logo
partir.
com ele vou se adormeço
e acordo o sonho
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
onde o cartógrafo desenha
a carta estelar. onde o poema
me visita para logo
partir.
com ele vou se adormeço
e acordo o sonho
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
de "Palavras no vento" - 11
Melancolia
há um regresso
escrito
algures
uma pedra
grávida
de formas
de humanos
desejos
um porto
algures
de onde zarparas
um cais
onde amarrar
a vontade
e um momento
este momento
de simples
sonhar
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
de "Palavras no vento" - 10
Louco
E pur se muove, Galileu,
em baixa voz pronunciaste.
Chamar-te-ão louco, qual orelha
de Van Gogh, copo matinal
repleto de absinto de Alfred
Jarry, alavanca que Arquimedes
usará para erguer o mundo.
Mas cinge as estrelas, planetas,
sol, lua pela cintura e
mede o deleite puro da
elipse. Esboça as estações.
Divide pelo mênstruo e
pelo bailado solar. Faz
teu ano, mês, dia. Cada hora
a ti pertence, embora louco,
na construção de sonho e de
futuro, segundo a segundo,
delineado e conquistado.
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
domingo, 9 de fevereiro de 2014
de "Palavras no vento" - 9
Intifada
Sentado em meu sofá, frente à TV,
vejo o mundo ou o mundo que nos mostram.
Independentemente de o ser ou
de o fazer ser, o facto é que há imagens
que marcam, que perduram penduradas
na íntima galeria da memória
e nos toldam o olhar, nos impele a
trazer, a passear, como escreveu
Eugenio Bueno, com a morte
debaixo do braço. Arde, no princípio
da triste galeria, uma mão, uma
pedra, obus mineral arremessado
contra o blindado. A mão seria de uma
criança se não fosse triste o olhar
como ave que receia o voo.
Mas, sobre esta batalha, não perguntes
quem vai ganhar ou quem vai perder. Só
sei que sempre haverá uma intifada
dentro do teu olhar secreto e puro
que será não de pedras, mas de lágrimas.
in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Prefácio a "27 Poemas", de António Rebordão Navarro
Pois bem, que dúvidas não restem sobre o que compõe este volume de poesia. São mesmo vinte sete os poemas que este “27 poemas” contém. Nem mais nem menos.
Aliás, outra coisa não seria de esperar. Como é do conhecimento de todos, a Matemática é uma ciência exacta, pelo que o erro está posto de parte.
Embora a Matemática seja uma das componente mais importantes da Poesia (ela e a música) o certo é que a aridez deste título pode conduzir o leitor a um erro, a um grave erro.
Este “27 poemas”, embora tenha sido baptizado como tal, traz-nos um enredo, uma linha de continuidade deveras interessante, em que o poeta, insultado como tal, numa tarde de sábado, na Rua da Sofia, em Coimbra, nos oferta um olhar irónico sobre a cidade, a cidade sob o signo helénico.
E é em plena ágora que António Rebordão Navarro nos serve estes seus poemas, os vinte e sete enformadores deste volume. Aí, ele lega-nos a sua visão de morte e de amor, os grande temas de toda a arte poética, mas tudo com uma pitada da tal ironia que antes referi, mas também, talvez sobretudo, a sua própria praxis poética.
Ou seja: “27 poemas” dá-nos um importante contributo sobre a visão do autor acerca da forma como o poeta deve usar a palavra poética, inserindo-a no contexto cultural e social onde se movimenta, erguendo a sua voz mesmo que essa demanda seja “o lugar em silêncio do poema”, mas tudo porque “fazemos de conta / que o fogo não queima, enquanto ardemos” ou não fossemos nós os que nos fizemos “as pedras do edifício”.
Ler este volume é, portanto, deixarmo-nos conduzir, sempre olhando de soslaio, como diz o povo: “um olho no burro outro no cigano”; e enveredar pelos caminhos desta cidade, a dos homens, mas também da poesia.
Coimbra, 26 de Outubro de 2008
in NAVARRO, António Rebordão - "27 Poemas". Edium Editores. 2008
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