segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

de "Palavras no vento" - 10

Louco

E pur se muove, Galileu,
em baixa voz pronunciaste.
Chamar-te-ão louco, qual orelha
de Van Gogh, copo matinal
repleto de absinto de Alfred
Jarry, alavanca que Arquimedes
usará para erguer o mundo.
Mas cinge as estrelas, planetas,
sol, lua pela cintura e
mede o deleite puro da
elipse. Esboça as estações.
Divide pelo mênstruo e
pelo bailado solar. Faz
teu ano, mês, dia. Cada hora
a ti pertence, embora louco,
na construção de sonho e de
futuro, segundo a segundo,
delineado e conquistado.

in "Palavras no vento" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)
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