sábado, 1 de fevereiro de 2014

Prefácio a "27 Poemas", de António Rebordão Navarro



Pois bem, que dúvidas não restem sobre o que compõe este volume de poesia. São mesmo vinte sete os poemas que este “27 poemas” contém. Nem mais nem menos. 

Aliás, outra coisa não seria de esperar. Como é do conhecimento de todos, a Matemática é uma ciência exacta, pelo que o erro está posto de parte.

Embora a Matemática seja uma das componente mais importantes da Poesia (ela e a música) o certo é que a aridez deste título pode conduzir o leitor a um erro, a um grave erro.

Este “27 poemas”, embora tenha sido baptizado como tal, traz-nos um enredo, uma linha de continuidade deveras interessante, em que o poeta, insultado como tal, numa tarde de sábado, na Rua da Sofia, em Coimbra, nos oferta um olhar irónico sobre a cidade, a cidade sob o signo helénico.

E é em plena ágora que António Rebordão Navarro nos serve estes seus poemas, os vinte e sete enformadores deste volume. Aí, ele lega-nos a sua visão de morte e de amor, os grande temas de toda a arte poética, mas tudo com uma pitada da tal ironia que antes referi, mas também, talvez sobretudo, a sua própria praxis poética.

Ou seja: “27 poemas” dá-nos um importante contributo sobre a visão do autor acerca da forma como o poeta deve usar a palavra poética, inserindo-a no contexto cultural e social onde se movimenta, erguendo a sua voz mesmo que essa demanda seja “o lugar em silêncio do poema”, mas tudo porque “fazemos de conta / que o fogo não queima, enquanto ardemos” ou não fossemos nós os que nos fizemos “as pedras do edifício”.

Ler este volume é, portanto, deixarmo-nos conduzir, sempre olhando de soslaio, como diz o povo: “um olho no burro outro no cigano”; e enveredar pelos caminhos desta cidade, a dos homens, mas também da poesia.


Coimbra, 26 de Outubro de 2008


in NAVARRO, António Rebordão - "27 Poemas". Edium Editores. 2008
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