sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Prefácio a "Transmigrações", de José Dias Egipto



Após o escrutínio do Júri do Prémio António Patrício de Poesia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos, que à presente obra atribuiu a Menção Honrosa referente à edição de 2008, eis que “Transmigrações” cumpre mais uma etapa, talvez a mais relevante de todas, a de estar agora nas suas mãos disponível para a sua fruição.

Há neste volume um verso que me diz muito, porque me lança a seguinte questão: e se o acto poético fosse definível como a demanda d’”O significado de todos os silêncios”?

De facto, este verso assume, para mim, a verdadeira força motriz deste poemário, onde o poeta nos desafia para vinte dédalos, caminhos delineados entre signos a decifrar que, por vezes, nos são apresentados como opostos.

São vias para não só o cumprimento do desígnio da Poesia, como arte ou até ciência que nos aproxima, pela palavra, do Mundo, da essência do Mundo, mas, talvez sobretudo, nos leva “no andamento orbital / da música oculta / de todo o entendimento”, para a demanda acima referida.

José Dias Egipto traz-nos portanto um livro, no sentido de corpo integral, não mera compilação de textos, onde, mais do que nos diz, nos obriga a participar na sua própria construção, porque se trata de um volume não fechado, um autêntico livro de Poesia, onde “A pele nua que se reflecte, aberta, em inocência / e se encobre, mundana, nos disfarces da experiência” nos vislumbra enquanto a vislumbramos, se a isso ousarmos, em cada dobra de cada poema.


Coimbra, 30 de Outubro de 2010


in EGIPTO, José Dias - "Transmigrações". Temas Originais. 2010
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