terça-feira, 6 de janeiro de 2015

de "Divertimento poético" - 26 a 30


Muitos olhos eu já tive,
Mas nenhum me soube ver.
Talvez a sombra é que vive
Na esperança de morrer.

*

Na minha janela achei
O canto de uma sereia
Foi por ela que embarquei
No olhar que me nomeia

*

Na muralha da cidade
Se desenha o sol poente
Como canto de saudade
Para o meu amor ausente

*

Não há poema que cante
A canção que canta o mar
Que em branco do azul errante
Se desfaz no meu olhar

*

Não me deixes por destino
Esse teu fio de prumo
Quero ser como um menino
Que crescendo faz seu rumo

in "Divertimento poético ou cinquenta quadras mais ou menos ao gosto popular, seguidas por três, porque três foi a conta que deus fez, redondilhas com gente dentro: Ti Maria, Ti Zé e Dona Alice (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2007)
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