quarta-feira, 12 de novembro de 2014

de "Afluentes do poema" - 12


Na mesa do café, entre a bica e
uma amêndoa amarga, acende-se um
cigarro. A esferográfica arrisca o
fogo da poesia entre as notícias
do próprio jornal do dia. É triste
o poema, o poeta expõe não a obra,
o verso procurado entre o silêncio
e a solidão, mas sua foto tipo
passe, ridente, em página de necrologia.
Na mesa do café,
como cinzas, ficaram as palavras.
Que o vento as leve e traga noutro dia.
Hoje não, eu não quero poesia.

in "Afluentes do poema" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2006)
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