terça-feira, 18 de novembro de 2014

de "Afluentes do poema" - 18


No deserto das mãos, o gesto nasce
pródigo em criação. Gera do caos
as formas do poema, do leito onde
as palavras se deitam e comungam
a secreta matéria dos sonhos,
da memória. O breve dizer
da areia removida por José
Luís Borges mudando a face do
Egipto. Talvez quadra, simples, mas
profunda, como vale imenso, de
António Aleixo. Todas as palavras
como cacho em vindima aguardando a
hora de ser desejo, de ser arte.

in "Afluentes do poema" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2006)
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