terça-feira, 4 de novembro de 2014

de "Afluentes do poema" - 4


Há séculos de vozes pelas veias
de cada poema. Abrem suas asas
no esboço circular de cada voo
em torno da palavra inaugural.
Herdámos instrumentos, movimentos,
o despertar do olhar, o seu mistério,
a cadência, a música, o silêncio
habitado de todas as memórias.
Resta-nos o desígnio, o contemplar
sereno das cidades e dos campos,
dos homens e das obras fruto dos
seus gestos. Indagar pela raiz
desta árvore frondosa que nós somos.
E plantar, semear o verbo para
quem nasce e em cujas mãos o tempo
será de novo nado e redivivo.

in "Afluentes do poema" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2006)
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