sábado, 1 de novembro de 2014

Prefácio a "Matiz do Mundo", de Gabriela Pais



Matiz do Mundo, de Gabriela Pais, este mesmo livro que agora está consigo, é o convite, mas também o próprio acto, para a auscultação da música que o mundo contém e que cada vocábulo tenta reproduzir.

Mas vai para além disso, leva-nos para a contemplação do mundo, para a sua possível decifração através do espanto que em nós pode, se para isso estivermos disponíveis, despertar.

Cada fragmento que compõe este volume, quase diria, assume-se como uma pintura do instante, uma história que nos é revelada através da palavra poética.

Matiz do Mundo, na minha perspectiva, trata-se de uma autêntica galeria, organizada com uma harmonia sem mácula, que o formato idêntico de cada poema nos sugere.

Ao vaguearmos através desta verdadeira exposição, o nosso olhar transforma-se em luz branca, possibilitando assim a revelação de todas as tonalidades que a junção de palavras eruditas, quotidianas e regionais propicia.

Por último, um aspecto que me parece relevante: a forma como, por vezes infringindo as regras gramaticais, usa a pontuação para a descoberta da sonoridade.

Trata-se, portanto, de uma obra assumidamente artística, onde se vislumbram na sua construção vestígios oriundos das mais múltiplas expressões de arte.

Coimbra, 19 de Janeiro de 2011

in PAIS, Gabriela - "Matiz do Mundo". Temas Originais. 2011


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