quarta-feira, 17 de setembro de 2014

de "À beira do silêncio" - 81 a 85


REPARA

Murmura o sol sobre a planura.
Repara como urde fio a fio
da sombra e da luz o destino.

SAUDADE

Ave que esboça o regresso
no soturno céu
da partida.

SEARA

Esta é a seara onde
colhes o fruto como verso
do ventre de uma escrinha.

SEMENTE

Das mãos se desprende o gesto:
a semente que deseja
ser flor, ser fruto.

SEMENTEIRA

Consumo as palavras,
os sentidos das palavras,
no semear do poema.

in "À beira do silêncio (uma centena de experiências em poetrix)" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2006)
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