segunda-feira, 9 de março de 2015

de "Poemas com rosto" - 17 e 18


JUANA DE IBARBOUROU

queda-se o corpo
entrega-se
à extrema serenidade
de uma onda que de manso
nos acaricia
a epiderme de areia

as mãos inventam
o súbito enlace solar

urge uma partida
uma chegada
um porto iluminado

um navio no sufrágio
da intempérie

queda-se o corpo
o meu corpo no teu corpo

um poema nado
de um poema

*

un ser que nos contempla transformado en hoguera

Juana de Ibarbourou

uma só voz
que pronuncia o silêncio
habita as arestas do verso
que jamais poderei escrever

arde numa morada
onde meu corpo se entrega
à magia das palavras

como se as recolhesse
e descobrisse sob a sua pele
um imenso mar de sentidos

um mar imenso
onde sinto a urgência
de navegar

in "Poemas com rosto" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2007)

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