terça-feira, 17 de março de 2015

de "Poemas com rosto" - 33 e 34


ANTERO DE QUENTAL

brilha o voo nas asas de um açor

em redor a aguarela
pinta-se de azul

seria mar
se o olhar
não se perdesse ao longe

onde habitam as sílabas
ondinas que cantam
a seiva do poema

*

Também me busco a mim... sem me encontrar!

Antero de Quental

espelho que me aguarda
e não encontro

sou narciso em busca
de meu rosto

escuto as águas
seu murmurar inconstante

mas longo é o caminho
para as afagar

mas persisto peregrino
do meu próprio destino

in "Poemas com rosto" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2007)
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