domingo, 22 de março de 2015

de "Poemas com rosto" - 43 e 44


CESÁRIO VERDE

Gosto do alexandrino, da sua ruptura:
A arte de respirar no centro do poema.
E a cidade, os costumes, a quase aldeia
Em tela iluminada em fina partitura.

Ah! Cesário Verde, como é natural
Cada verso, cesura nada em tua lavra!

*

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo

Cesário Verde

percorre o olhar
os campos dos espelhos

de dentro
uma outra face surge poderosa

iluminada de poente
em plena aurora

in "Poemas com rosto" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2007)
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