quinta-feira, 5 de março de 2015

de "Poemas com rosto" - 9 e 10


FLORBELA ESPANCA

eviterno
é o poema
que dentro da própria arte
nasce

exacto e perfeito
evoca as mãos
que ao caos resgatam a ordem

e o que surge
é qual flor subtil
que brilha e arde
no verbo sentir

*

Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca

quando morre um poeta
o sol sorri

sabe o destino das palavras
que plantou
no coração do silêncio

a sua fome de sílabas
a sua febre de música
outros as decifrarão

o poeta agora é rosa
vê como o sol a beija

in "Poemas com rosto" (e-book, Virtualbooks, Brasil, 2007)
Enviar um comentário